Archive for fevereiro, 2012

Psicólogo com paralisia cerebral defende inclusão escolar

A paralisia cerebral dificulta a fala e a coordenação motora, mas não a produção intelectual do psicólogo paulistano Emílio Figueira, 42.

O psicólogo e escritor Emílio Figueira, 42, em sua casa, em São Paulo (Foto: Divulgação)

A deficiência não o impede de estudar, escrever, ler, atualizar seus sete blogs e ministrar aulas on-line. Passa a maior parte do tempo em casa, no computador, no qual digita usando só a mão direita.

Para ele, o empenho da sua família no seu desenvolvimento foi um fator que o tornou um exemplo bem-sucedido de inclusão.

Na década de 70, inclusão não era uma palavra conhecida. O foco das instituições voltadas a deficientes era adaptá-los à sociedade.

Hoje o modelo se inverteu: é a sociedade que deve mudar para incluir os deficientes. “Até os anos 80, éramos vistos como coitadinhos. Tudo era cultura assistencialista. Mas nos organizamos e saímos do isolamento.”

Na adolescência, Emílio se mudou para Guaraçaí, (397 km de São Paulo), onde frequentou pela primeira vez uma escola regular. Vida normal! Nadava, jogava bola, ia a bailes. Viver entre garotos sem deficiência foi essencial ao seu crescimento, diz.

Aos 16, teve o primeiro livro publicado, de poemas. Não parou mais: calcula ter escrito 70, metade jogou fora. A obra mais recente, “O Que é Educação Inclusiva” (Brasiliense, R$ 19), trata de um dos seus temas favoritos.

A convivência entre pessoas com e sem deficiência traz vantagens para todos, prega. “Se você educar uma criança com deficiência entre iguais, não haverá estímulos. Mas, se ela for para uma escola normal, se autoestimulará.”

Nas faculdades, diz ele, o pior é a falta de material adaptado, como livros em braille: “Grande parte delas faz vista grossa para isso. O caminho é fazer movimento”.

Emílio considera a legislação brasileira sobre inclusão avançada, mas vê armadilhas na maneira como a Lei de Cotas (obriga empresas com mais de cem funcionários a reservar 5% das vagas a deficientes) vem sendo conduzida. “As empresas oferecem ou cargos baixos ou com alto nível de exigência. E dão a desculpa que há vagas, mas não há gente qualificada.”

Apesar das suas conquistas, há muitas coisas que gostaria de fazer, mas não pode.Dirigir, por exemplo. “Falar que eu levo uma vida totalmente normal é demagogia.”

O psicólogo conta que deseja viver uma história de amor, e a internet é sua aliada na busca. Contatos virtuais ajudam, segundo ele, a diminuir o estigma. “É possível conhecer a pessoa por dentro antes do primeiro encontro.”

O escritor Emílio Figueira, 42, que tem paralisia cerebral (Foto: Divulgação)

Emílio quer escrever um livro sobre sua experiência nos sites de relacionamento. “Espantei Mais Uma!” será o título. “Eu começava a conversa com as moças e na segunda mensagem já revelava minha deficiência. A maioria nunca mais me respondia. Cheguei a ter relacionamentos com duas, de uma gostei de verdade. Pensamos em nos casar, mas a família dela não deixou. Mas não me abalo fácil: continuo nos sites, tenho fé.”

Fonte: Folha Uol

29/02/2012 at 16:29 Deixe um comentário

Novo piso nacional do magistério

O Ministério da Educação (MEC) definiu em R$ 1.451 o valor do piso nacional do magistério para 2012, um aumento de 22,22% em relação a 2011. Conforme determina a lei que criou o piso, o reajuste foi calculado com base no crescimento do valor mínimo por aluno do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) no mesmo período.

A Lei do Piso determina que nenhum professor pode receber menos do que o valor determinado por uma jornada de 40 horas semanais. Questionada na Justiça por governadores, a legislação foi confirmada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no ano passado.

Entes federados argumentam que não têm recursos para pagar o valor estipulado pela lei. O dispositivo prevê que a União complemente o pagamento nesses casos, mas, desde 2008, nenhum estado ou município recebeu os recursos porque, segundo o MEC, não conseguiu comprovar a falta de verbas para esse fim.

Em 2011, o piso foi R$1.187 e em 2010, R$ 1.024. Em 2009, primeiro ano da vigência da lei, o piso era R$ 950. Alguns governos estaduais e municipais criticam o critério de reajuste e defendem que o valor deveria ser corrigido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), como ocorre com outras carreiras.

Na Câmara dos Deputados, tramita um projeto de lei que pretende alterar o parâmetro de correção do piso para a variação da inflação. A proposta não prosperou no Senado, mas na Câmara recebeu parecer positivo da Comissão de Finanças e Tributação. A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) prepara uma paralisação nacional dos professores para os dias 14,15 e 16 de março com o objetivo de cobrar o cumprimento da Lei do Piso.

Fonte: Educação Uol

28/02/2012 at 13:51 Deixe um comentário

Educação domiciliar – o que você acha disso?

Educação domiciliar voltará à pauta da Câmara em novo projeto

Uma proposta anterior foi rejeitada em outubro e a nova quer que os sistemas de ensino tenham opção de admitir modalidade

Os entusiastas da educação domiciliar - aquela em que os pais são os responsáveis pela formação escolar dos filhos em casa – terão mais uma chance de tornar a modalidade legal.  Entrou em análise na Câmara dos Deputados este mês um projeto que prevê a possibilidade de a educação básica ser feita em casa, desde que com supervisão e avaliação periódicas. No ano passado, outra proposta havia sido rejeitada.

O Projeto de Lei 3179/12, do deputado Lincoln Portela (PR-MG), inclui dispositivo na Lei de Diretrizes e Bases da Educação facultando aos sistemas de ensino admitir a educação básica domiciliar, sob a responsabilidade dos pais ou responsáveis pelos estudantes desde que monitorem o resultado.

A Constituição Federal estabelece a educação como um dever do Estado e da família e determina também a obrigatoriedade da educação básica dos quatro aos 17 anos de idade.  Para o autor, isso não impede que seja feita em casa. “Não há impedimento para que a formação, se assegurada a sua qualidade e o devido acompanhamento pelo Poder Público certificador, seja oferecida no ambiente domiciliar, caso esta seja a opção da família do estudante”, disse.

Na prática, já há casos

Atualmente, mesmo sem base legal, há várias famílias que fazem esta opção. De acordo com a Associação Nacional de Ensino Domiciliar (Aned) são cerca de 400. Em geral, elas travam batalhas judiciais ao serem questionadas por conselhos tutelares. Há casos vencedores, como o do professor paranaense Luiz Carlos Faria da Silva, que conseguiu a permissão, e do designer Cleber Nunes, que perdeu todos os processos – mesmo assim foi até o fim e concluiu a formação dos filhos adolescentes.

O deputado Portela argumenta que garantir na legislação ordinária essa alternativa é reconhecer o direito de opção das famílias com relação ao exercício da responsabilidade educacional para com os filhos. “Não podemos descuidar do imperativo em dar acesso, a cada criança e jovem à formação educacional indispensável para sua vida e para a cidadania”, afirma o autor do projeto. Existe um número crescente de famílias no Brasil e no exterior que tem optado por educar suas crianças em casa, com ou sem a ajuda de professores particulares.

O projeto  ainda será distribuído às comissõres antes de ser analisado.

E vocês o que pensam sobre esse assunto?

Fonte: Último Segundo

24/02/2012 at 8:46 Deixe um comentário

Missão brasileira vai aos EUA conhecer centros de produção de conhecimento

Ensino Superior

Representantes de 25 instituições de educação superior de todas as regiões do Brasil vão conhecer os principais centros de produção de conhecimento dos Estados Unidos. No domingo, 19, uma missão especial embarca para a América do Norte a fim de promover maior entendimento entre os sistemas de educação superior de ambos países e ampliar o intercâmbio de brasileiros para os EUA previsto no programa Ciência sem Fronteiras.

A delegação, que ficará naquele país até 3 de março, visitará universidades, empresas e laboratórios nas regiões oeste, meio-oeste e leste. Ao fim das visitas, estará em Washington para reuniões na Embaixada do Brasil e no Departamento de Estado norte-americano. Nos encontros, serão debatidos o intercâmbio acadêmico e científico e as oportunidades surgidas em função das visitas.

A organização da visita da missão especial está sob a responsabilidade da Embaixada dos EUA no Brasil, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) do Ministério da Educação e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, com o auxílio da Embaixada do Brasil nos EUA.

Bolsas — O programa Ciência sem Fronteiras foi criado para consolidar, expandir e internacionalizar a ciência e a tecnologia, a inovação e a competitividade no Brasil por meio do intercâmbio e da mobilidade internacional. Ele prevê a oferta de aproximadamente 100 mil bolsas de estudos, em quatro anos, a alunos de graduação e pós-graduação. Com o estágio no exterior, os bolsistas manterão contato com sistemas educacionais competitivos na área de tecnologia e inovação.

O Ciência sem Fronteiras também pretende atrair pesquisadores do exterior que queiram se fixar no Brasil ou estabelecer parcerias com pesquisadores brasileiros em áreas prioritárias pré-definidas, bem como criar oportunidade para que pesquisadores de empresas recebam treinamento especializado no exterior.

Fonte: Portal Mec

22/02/2012 at 10:03 Deixe um comentário

Notícias do Enem

MEC publica portaria revogando as 2 edições do Enem no ano

O Ministério da Educação (MEC), por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), publicou portaria na edição desta quarta-feira doDiário Oficial da União revogando o documento de maio de 2011 que definia a realização de duas edições anuais do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) a partir de 2012. A decisão de fazer apenas um prova este ano já havia sido anunciada pelo então ministro da Educação, Fernando Haddad, em janeiro.

Na ocasião, Haddad disse que empresa Modulo Security, de gestão de risco, fez uma avaliação e concluiu que a realização de duas edições neste ano sobrecarregaria as estruturas logísticas do exame. Com a publicação da medida, fica oficialmente cancelada a edição agendada para abril. A prova do segundo semestre está mantida.

Desde que o MEC deu início ao projeto de substituir o Enem pelos vestibulares tradicionais, em 2009, a intenção era que o exame fosse aplicado uma vez por semestre para dar mais chances aos estudantes. A presidente Dilma Rousseff afirmou, no final de janeiro, que o plano de aplicar duas provas continua valendo, e que isso deve ser feito a partir de 2013.

 

Fonte: Portal Terra

 

16/02/2012 at 9:11 Deixe um comentário

Atividades físicas podem melhorar notas das crianças em idade pré-escolar

(Foto: Divulgação)

Uma vida sedentária pode ser prejudicial para a saúde do corpo e intelecto das crianças. Jogar bola, nadar ou soltar pipa podem ser boas formas de estimular o desempenho acadêmico dos filhos. É o que mostra um novo estudo holandês, que analisou diferentes pesquisas na área.

De acordo com os pesquisadores do Institute for Health and Care Research, em Amsterdã, quanto mais atividades físicas as crianças em idade pré-escolar praticarem, melhores serão as notas na escola. Os cientistas acreditam que as altas notas dos alunos que praticam atividades físicas regulares estejam relacionadas com o aumento do fluxo de sangue e oxigênio para o cérebro durante os exercícios.

Atividades estimulam criação de células nervosas

De acordo com o estudo, a prática das atividades estimula a elevação dos hormônios que reduzem o estresse e melhoram o humor, levando a criação de novas células nervosas – o que poderia responder a relação com o desempenho escolar de alto nível.

As pesquisas analisadas pelos cientistas investigaram a rotina de crianças e jovens com idades entre 6 e 18 anos. O principal artigo revisado contou com a participação de 12 mil voluntários. De acordo com cientistas, são necessários mais estudos para explicar a frequência e duração ideais dos exercícios como forma de estimular o desempenho das crianças na escola.

Vamos estimular nossas crianças, sem exigir muito delas também ;)

Fonte: GNT

15/02/2012 at 7:01 Deixe um comentário

Educação Ambiental na Escola

É na escola que as crianças passam grande parte do seu dia a dia. É ali também que adquirem conhecimento de forma mais ampla. Além disso, o cenário escolar é ideal para a educação ambiental porque, enquanto o ser humano ainda é jovem, consegue assimilar mais facilmente bons hábitos e ainda abandonar outros maus costumes.

A responsabilidade de trabalhar com a Educação Ambiental é grande, assim como a nossa responsabilidade com o futuro do planeta. Os simples atos que devemos realizar para um mundo mais sustentável é a chave para diminuir o impacto que podemos gerar. A educação ambiental na escola auxilia a reforçar a importância de atitudes como essas.

Embora não exista uma idade específica para aprender, a formação da consciência em favor do meio ambiente pode e deve ser estimulada desde as primeiras palavras da criança; quanto mais habituada com o assunto, maior a probabilidade de ela se tornar um adulto consciente.

Danos irreversíveis já foram causados a ecossistemas vulneráveis, como praias, manguezais e restingas. Talvez, se a educação ambiental fosse apresentada desde o início, tais danos não aconteceriam.

A urgência em divulgar a conservação dos albatrozes passa por conhecer o ambiente marinho, englobando temas como lixo marinho, biodiversidade e um modelo de pesca menos impactante e mais sustentável para os pescadores.

Neste ano, o Projeto Albatroz iniciou seu trabalho junto às escolas santistas com duas ações dentro do programa de educação ambiental Albatroz na Escola. Uma delas é a parceria com a escola Tatibitati e o colégio Átrio, cujo projeto Albatrozes e Pescadores: Todos no Mesmo Barco é realizado como uma aula semanal ministrada pela equipe do Projeto Albatroz para 150 alunos de 2 a 10 anos. A outra é a palestra Albatrozes e a Biodiversidade Marinha com a duração de cerca de 40 minutos para escolas particulares interessadas. Em ambas atividades, é abordado o tema da biodiversidade marinha e a conservação dos albatrozes e petréis de forma lúdica com o auxílio de jogos interativos.

*Maria Claudia Kohler é bióloga e coordenadora da Educação Ambiental e Voluntariado do Projeto Albatroz.

Fonte: Portal Guia Escolas

15/02/2012 at 7:00 1 comentário

Escola paulistana inova com aula em salões e criatividade

Com criatividade e ousadia, práticas de ensino obsoletas são superadas, acredita o professor Braz Rodrigues Nogueira, diretor da Escola Municipal de Ensino Fundamental Presidente Campos Salles, de São Paulo, capital. As salas de aula convencionais da escola, no bairro de Heliópolis, em antiga favela da zona sudeste da cidade, cederam espaço a grandes salões. Neles, professores polivalentes orientam os alunos em todas as disciplinas. Cada salão recebe três professores e cerca de 100 estudantes.

Foto: Arquivo da Escola

Os roteiros de estudo para os alunos são elaborados pelos professores, que interagem na execução desse trabalho. “Conhecer o que o colega está propondo para os alunos evita a fragmentação do conhecimento”, avalia o diretor. Para executar as atividades previstas no roteiro, os estudantes reúnem-se em grupos de no máximo quatro pessoas. Cada grupo tem autonomia para escolher com o que trabalhar ou estudar diariamente, entre as diferentes propostas para um período de 15 dias. A aprendizagem ocorre pela interação, integração e socialização dos estudantes. As dúvidas são esclarecidas entre os colegas ou por um dos professores.

De acordo com Braz Nogueira, responsável pelas inovações, para superar as práticas pedagógicas inadequadas que predominam na escola em geral — como a que vê o aluno como uma miniatura do adulto, um ser incompleto — seria necessário reorganizar o espaço escolar, torná-lo condizente com a concepção da criança como um ser integral, capaz de tomar decisões, organizar-se individual e coletivamente para aprender a viver e ser portadora de conhecimento. As inovações, de acordo com o diretor, fizeram surgir uma nova ética de convivência, baseada nos princípios de autonomia, responsabilidade e solidariedade, e novos dispositivos de participação. “Instalou-se na escola um movimento de superação do individualismo, do adultocentrismo e da fragmentação do conhecimento”, explica.

Braz Nogueira afirma que as salas de aula tradicionais não conseguem formar alunos prontos para o exercício da cidadania. Em sua avaliação, essa forma de organização do espaço privilegia o individualismo, dificulta a interação e o diálogo, o que torna o aluno passivo. “A sala de aula tradicional não possibilita o desenvolvimento de práticas pedagógicas com base nas concepções de que a criança é um ser integral e competente”, assegura.

Interação — Segundo a professora Adriana Chow Haidar, que leciona na primeira série do ensino fundamental, a maior vantagem da troca das salas de aula convencionais pelos salões é a interação entre os professores e a intensa troca de ideias no manejo das disciplinas. “Forma-se uma equipe muito preocupada com a aprendizagem de qualidade”, diz a professora, pós-graduada em práticas pedagógicas na educação básica. “O peso é dividido com os colegas de trabalho.”

Como atitudes criativas adotadas para melhorar a aprendizagem dos estudantes, Adriana relata que os professores formam grupos de avanço, que oferecem atendimento individualizado aos alunos com mais dificuldades. Também são organizadas rodas de conversação diárias. Nelas, os alunos abordam assuntos relativos tanto à vida escolar quanto à pessoal.

A Escola Campos Salles tem, matriculados, 420 alunos no nível 1 (primeira à quarta série), 420 no nível 2 (quinta à oitava) e 280 na educação de jovens e adultos. (Ana Júlia Silva de Souza)

Fonte: Portal do Professor

14/02/2012 at 16:14 Deixe um comentário

Por que as crianças estão cada vez mais infelizes?

Especialistas em saúde infantil chamam a atenção para uma epidemia silenciosa que afeta a saúde mental das crianças que, ainda pequenas, precisam lidar com as pressões da sociedade moderna

Segundo especialias, as crianças estão ansiosas, estressadas, deprimidas e sobrecarregadas .

Uma em cada onze crianças com mais de oito anos de idade está infeliz, segundo um estudo divulgado em janeiro deste ano pela Children’s Society, organização centenária de proteção infantil. Apesar de a pesquisa trazer à tona uma realidade das crianças entre 8 e 16 anos do Reino Unido, especialistas brasileiros em saúde infantil afirmam que esse não é um problema exclusivo das crianças britânicas. No Brasil, a realidade é parecida. Ana Maria Escobar, pediatra do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas, em São Paulo, conduziu uma pesquisa com os pais de cerca de 900 crianças de 5 a 9 anos que estudavam em escolas particulares e estaduais. De acordo com os resultados do estudo, os pais disseram que 22,7% das crianças apresentavam ansiedade; 25,9% tinham problemas de atenção e 21,7% problemas de comportamento. “No início do estudo, esperava encontrar queixas como asma, mas não ansiedade”, diz Ana. Apenas 8% tinham problemas respiratórios e 6,9% eram portadoras de asma. O estudo foi concluído em 2005, mas Ana Maria acredita que se a pesquisa fosse feita hoje, “os níveis de ansiedade e de problemas de comportamento certamente seriam ainda mais altos.” Mais do que infelizes, as crianças brasileiras também estão ansiosas, estressadas, deprimidas e sobrecarregadas. “Elas estão desconfortáveis com a infância. Esse desconforto aparece de várias formas: como irritabilidade, desatenção, tristeza e falta de ânimo. Muitas vezes, é um comportamento incomum em relação à idade delas”, diz Ivete Gattás, coordenadora da Unidade de Psiquiatria da Infância e Adolescência da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Saul Cypel, membro do departamento de Pediatria do Comportamento e Desenvolvimento da Sociedade Brasileira de Pediatria, traz dados preocupantes: “A impressão que eu tenho é a de que o número de crianças com queixas comportamentais cresceu muito nesses últimos dez anos.”

Neste período, segundo Cypel, houve uma transformação do perfil da clínica: se antes as queixas sobre o comportamento infantil correspondiam a 20% dos pacientes, agora são responsáveis por 85% do total de seu consultório de neurologia. Com uma agenda recheada de atividades extracurriculares, que vão desde aulas de idiomas como inglês e mandarim até as aulas clássicas como balé e futebol, as crianças estão sem tempo para se divertir e descansar, acreditam os médicos. Segundo Cypel, a antecipação de atividades para as quais o indivíduo não está preparado pode desencadear o stress tóxico, que ocorre quando há uma estimulação constante do sistema de resposta ao stress (veja quadro abaixo), trazendo prejuízos futuros para as crianças.

“A família introduz uma série de treinamentos, atividades e línguas novas. Na medida em que a criança não consegue dar conta disso, a sensação de fracasso se torna frequente”, explica Cypel. “Com o stress tóxico, ao invés de favorecer o desenvolvimento da criança, os pais acabam limitando-a e desmotivando-a.” Entre as consequências diretas estão a diminuição da autoestima, alterações alimentares (excesso ou falta de apetite), problemas de sono e apatia. No início deste ano, a Academia Americana de Pediatria lançou um documento que chama a atenção para as evidências de impactos negativos do stress tóxico, com prejuízos posteriores para a aprendizagem, comportamento, desenvolvimento físico e mental. O relatório também sugere que parte dos problemas mentais que ocorrem nos adultos devem ser vistas como transtornos de desenvolvimento que tiveram início na infância. Ana Maria Escobar acrescenta que a exposição à realidade violenta do Brasil também pode contribuir para uma sensação de ansiedade nas crianças. “Antes, raramente uma criança ouvia falar de um ato de violência. Hoje, elas ficam mais confinadas e têm medo de assaltos e sequestros. Isso com certeza provoca maior stress e ansiedade, além de maior possibilidade de se sentir infeliz, principalmente entre aquelas que vivem nas grandes cidades brasileiras”, diz..

Sinais — O problema é agravado pelo fato de que muitos pais demoram a perceber o que se passa com seus filhos. “Eles acham que o comportamento das crianças é normal”, diz Ana Maria Escobar. Além disso, a dificuldade em administrar o tempo que dedicam à vida profissional e aos filhos muitas vezes impede que os pais percebam os sinais de que algo está errado. “Muitos pais priorizam a profissão e terceirizam a criação dos filhos. Mas é preciso se questionar: quanto tempo eu passo com meus filhos? Quem são as pessoas que estão criando eles?”, afirma o psiquiatra Francisco Assumpção, da Sociedade Brasileira de Psiquiatria.

Essa é uma preocupação constante na vida da publicitária Flora*, que tem dois filhos, Cecília* e Celso*, de 7 e 9 anos, respectivamente. As crianças, que estudam em período integral na escola, têm uma rotina bastante atribulada. Celso faz aula de inglês, futebol, tênis e deve começar a aprender uma luta neste ano. Cecília também faz inglês, natação e deve começar a praticar ginástica olímpica. “Primeiro, experimentamos uma aula de inglês uma vez por semana, depois colocamos os dois em um esporte”, afirma. “Tem que sentir muito como a criança está lidando com isso. Observar o comportamento para ver se ela está cansada e se o rendimento na escola começa a diminuir”, diz. Flora se preocupou em contratar uma professora de inglês para que as crianças tivessem aulas em casa. Para ela, é melhor opção para evitar o stress desnecessário no trânsito. Apesar da preocupação, Flora fez alterações na rotina de Cecília. A pequena começou a apresentar sinais de stress. Para descobrir o problema, Flora foi investigar com a filha e percebeu que a natação estava causando o problema. “Ela chorava muito e quando acordava dizia que não queria ir para a escola. Estava diferente do que ela é normalmente”, disse. Flora tirou a filha da natação no ano passado, mas ela já pediu para voltar esse ano, segundo a mãe, que vai observar o desempenho da criança.

Quando é depressão – De acordo com Ivete Gattás, da Unifesp, a depressão afeta 2% das crianças e até 5% dos adolescentes. Sabe-se ainda que a depressão na infância e na adolescência pode influenciar negativamente o desenvolvimento e o desempenho escolar, além de aumentar o risco de abuso de substâncias químicas e de suicídio. Somente 50% dos adolescentes com depressão recebem o diagnóstico antes de se tornarem adultos. Gattás explica que o transtorno depressivo pode surgir a partir de vários fatores: predisposição genética e associação de fatores ambientais, que podem ser desencadeados pelo stress do dia a dia, sensação de vulnerabilidade, restrição ao desempenho da criança e sobrecarrega de atividades. (Veja a lista de sintomas). “Para caracterizar depressão, a criança deve apresentar mais de cinco sintomas, durante um mês”, afirma Gattás.

Terapia — Estudos já mostraram que a ansiedade durante a infância, se não contornada, pode se transformar em depressão durante a vida adulta. Por isso é necessário prevenir qualquer sintoma, mesmo que ele não seja o suficiente para o diagnóstico da depressão. (Veja como evitar o stress infantil.) Carla*, de oito anos, começou a ter problemas aos cinco. Em seus desenhos, ela sempre aparecia chorando, enquanto suas amigas sorriam. “Ela é muito preocupada com a imagem que os outros têm dela. Se ela percebe que não corresponde ao que os outros esperam, ela se chateia muito”, diz a arquiteta Patrícia*, mãe de Carla. “Tentamos conversar com ela, mas ela não revelava o que estava acontecendo. Descobri que as crianças na escola faziam um clubinho e que a Carla era sempre excluída”, diz Patrícia. O problema foi solucionado com a troca de sala. A pediatra de Carla indicou um especialista em saúde mental, para prevenir e ajudar a garota a entender a própria ansiedade. Há três anos, ela faz análise uma vez por semana. “Às vezes, ela me pergunta o que eu acho sobre determinado assunto e eu fico em dúvida sobre o que responder. E ela diz: ‘já sei, vou levar isso pra analista’”, conta a mãe. Para Gattás, o pediatra deve ser treinado na área de saúde mental para diagnosticar problemas da infância e adolescência. “Ele acompanha a criança durante o crescimento e tem uma importância fundamental na orientação dos pais”, diz. “Se não houver uma mudança na forma como os pais lidam com seus filhos, vamos ver um aumento da frequência dos quadros psiquiátricos, mas transtornos de ansiedade e falta de perspectivas para as novas gerações”, diz Assumpção.

*Os nomes das mães e das crianças utilizados nesta reportagem foram trocados com o objetivo de preservar a privacidade dos personagens

Fonte: Veja

13/02/2012 at 9:10 Deixe um comentário

Tecnologia na Educação

Escola não pode ficar à margem da evolução da tecnologia, diz ministro

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, disse nesta quinta-feira, 9, que a velocidade tecnológica é muito maior do que a capacidade que a escola tem de processá-la. Apesar disso, segundo ele, a escola não pode ficar à margem da evolução tecnológica.

Na semana passada, o ministro anunciou que o Ministério da Educação vai investir, este ano, cerca de R$ 150 milhões na compra de 600 mil tablets para uso dos professores do ensino médio de escolas públicas federais, estaduais e municipais. A tecnologia, afirmou, vai ser tão mais eficiente quanto maiores forem os cuidados pedagógicos e quanto maior for o envolvimento dos professores no processo.

“Estamos definindo que, na educação, a inclusão digital começa pelo professor”, disse Mercadante. Para isso, o MEC já formou mais de 300 mil professores em tecnologias da comunicação e informação, em cursos de 360 horas. Além disso, o serviço de internet banda larga foi instalado em 52 mil escolas públicas urbanas.

Com a entrega de novas tecnologias da informação, professores e escolas públicas terão acesso, por meio dos tablets, a conteúdos educacionais colocados à disposição no Portal do Professor. São aproximadamente 15 mil aulas, criadas por educadores e aprovadas por um comitê editorial do MEC. Além disso, o ministério oferece o Banco de Objetos Educacionais e o Domínio Público, que entre outras obras dispõe da coleção Educadores. Na Fundação Lemann, são traduzidas aulas de matemática, física, biologia e química elaboradas pelo professor indiano Salman Khan, responsável por desenvolver material pedagógico com abordagens inovadoras.

Para o ministro, o mundo evolui em direção a uma sociedade do conhecimento, e a escola tem de acompanhar esse processo. “É muito importante que a gente construa uma estratégia sólida para que a escola possa formar e preparar essa nova geração para o uso de tecnologias da informação”, disse.

Interativo – O MEC também ampliará a distribuição do computador interativo, equipamento que reúne projetor, microfone, DVD, lousa e acesso à internet. Unidades desse computador já foram distribuídas nas escolas de ensino médio. No segundo semestre, chegarão os tablets, em modelos de sete ou dez polegadas, coloridos, com bateria para até seis horas, peso abaixo de 700 gramas, tela multitoque, câmera e microfone para trabalho multimídia, saída de vídeo e conteúdo pré-instalado, entre outras características.

Aos computadores serão integradas as lousas eletrônicas, compostas de caneta e receptor. Acopladas ao computador interativo, elas permitirão ao professor trabalhar o conteúdo disponível em uma parede ou quadro rígido, sem a necessidade de manuseio do teclado ou do computador.

Projeto-piloto – A entrega dos equipamentos digitais a professores e escolas integra o projeto Educação Digital – Política para Computadores Interativos e Tablets. Ele surgiu para oferecer instrumentos e formação aos professores e gestores das escolas públicas relativos ao uso intensivo das tecnologias de informação e comunicação (TICs) no processo de ensino e aprendizagem.

Entre 2008 e 2011, o MEC criou o projeto-piloto Um Computador por Aluno (UCA), com a aquisição de computadores portáteis para estudantes da rede pública. Essa compra fez parte do Programa Nacional de Informática na Educação (ProInfo Integrado), integrante da política nacional de tecnologia educacional do MEC, destinado a promover o uso pedagógico da informática na rede pública de ensino fundamental e médio, com a oferta de infraestrutura, capacitação e conteúdos educacionais.

Em 2008, em fase experimental, o projeto foi implementado em São Paulo, Porto Alegre, Brasília, Piraí (RJ) e Palmas. Em uma segunda fase, foram adquiridos 150 mil computadores para estudantes de 380 escolas da rede pública. A infraestrutura de acesso à internet sem fio foi instalada à medida que os computadores eram entregues. Posteriormente, professores receberam capacitação para uso do equipamento e da tecnologia no processo pedagógico escolar. Os municípios e estados ficaram responsáveis por dar continuidade ao projeto.

Em 2010, numa terceira etapa, o projeto–piloto evoluiu para o Programa Um Computador por Aluno (Prouca), com apoio do Regime Especial de Aquisição de Computadores para Uso Educacional (Recompe). A partir de então, estados e municípios puderam adquirir os equipamentos portáteis de empresa selecionada por edital. Ao todo, foram comprados 375 mil computadores por 372 municípios. A avaliação de equipes de pesquisadores de 27 instituições de ensino superior norteará a continuidade do programa.

Fonte: Portal MEC

10/02/2012 at 8:30 Deixe um comentário

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